Outros "mares" por onde navego...

sábado, 23 de abril de 2011

Canção

Dá-me a canção para ouvir
o embalo de flautas e ventos
escondidos num olhar obscuro
de medo sobre o incontrolável.
Dá-me nesta canção a poesia
no balanço de rimas e cantos
edificando a ruína que em palavras 
se gastou...


Dá-me a voz nesta canção
não deixa que ela finde o seu
trajeto-destino
de perpetuar inocência e riso
histórias descalças
pensamentos desnudos
gritos
medo e solidão.


Dá-me esta canção e eu te devolvo
porque, comigo, multiplicada
impossível sua finitude
sua indiferença
sua mudez.


(Betha Mendes)


Imagem Google

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Eu também tenho um blog!


Sou do tempo de cartas, de bilhetinhos aos apaixonados, aos amigos.
Sou do tempo dos cartões postais e, principalmente, dos cartões de namorados e de natais.
Bom ser desse tempo, em que vencia a ansiedade à espera do carteiro presenteando-me com notícias.
Sou também do tempo em que se colocava uma folha, uma pétala dentro dos livros para, muito mais tarde, contemplar os efeitos das horas passadas.
Esse tempo ainda existe na memória dos que viveram como eu; existe também na caixa em que guardo essas lembranças e que, de vez em quando, é visitada para ter a certeza de que não sou apenas uma fotografia. Ainda!
Mas os modos de comunicar se transformaram. E apesar do meu silêncio aparente, gosto das trocas, dos recados em forma de poesia, de crônicas, de selinhos, de olhares , de abraços e até beijinhos virtuais.
Então, fiz um blog.
Nas poucas horas em que dedico a ele, conheço pessoas e olhares muito mais através de suas letras do que pelas suas fotos. Faço parte do grupo daqueles que gostam de música, de pintura, de literatura, enfim , de todo tipo de arte, e acredito que os que me leem, como também aqueles que leio, são pessoas sensíveis, com brilhos no olhar, que tiram um pouco de suas vidas cansadas e ocupadas para manterem o exercício de se conhecer.
Não tenho muitos seguidores(nem sei se esta seria a palavra correta para os que me visitam), mas tenho a alegria de publicar os meus textos, antes guardados naquela caixa. Penso também que através das leituras que faço aos meus amigos blogueiros tenho uma chance de me autoavaliar como aspirante à poetisa. Muito mais que isso, vejo que, de algum modo, meus versos podem iluminar a beleza de um momento.
Gosto de navegar pelos inúmeros blogs que sigo, de ver seus modelos desenhando um pouco dos seus proprietários, suas cores preferidas, seus amores às vezes escondidos em palavras. Enfim, conhecer um pouco dessa vida virtual que cresce a cada dia, sem perder, no entanto, o encanto pelas coisas e pessoas que toco, cheiro, abraço, leio da cabeça aos pés. Abrir janelas que sempre caminharam comigo e ensinar aos mais jovens que existe um mundo aqui também.
Acredito que passado e presente ensinam juntos. Por isso, ainda cultivo o hábito de “minimizar” minhas “pages” à moda antiga, ou melhor, ainda marco com folhas e pétalas os meus livros. Assim acredito que nada morre e que há bastante espaço para a vida.

Betha Mendes , abril 2011
Imagem Google






terça-feira, 12 de abril de 2011

domingo, 10 de abril de 2011

E o título?

meus seios choram tuas mãos e teus lábios
minha carne retarda o tempo
enquanto, pela janela dos meus olhos
devoro teu corpo no meu


(Betha Mendes)
Imagem Google

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pelos inocentes

 ... Poesia...
 ... Sozinha...
Procura o verso, o encanto, o dia
     Desiste
Ao ver o vermelho tapete jogado no chão e na alma
Dos que não têm mais vida 
Dos que não têm mais Poesia...


(Betha Mendes)
Imagem Google

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Inundação

Esse retrato tem a luz dos olhos meus
e se guarda para ti numa canção.
Vê por fora dos meus olhos
            (não é lágrima)
como tudo se inundou!
E as asas, quebradas,
resgataram velhos voos
de quando éramos separados.
É a canção do velho rio
me devolvendo frutos maduros
e outros...
que não deixei apodrecer.
Meu rio voltou
guardo nele um amor primeiro
e a saudade do que agora permanece
dos meus passos, dos meus pés
da fina areia onde tracei infâncias.
O cheiro das lavadeiras meu rio trouxe
o passarinho ligeiro, sem medo
sem mágoa do homem
o meu rio não quis trazer.
Mas tenho hoje a luz dos olhos meus
já que meu rosto em suas águas nem se mostram.
Tenho a luz remanescente
e que será tua
num percurso adverso, incompleto
em outro caminho
em outro destino
em outro ri(s)o
em outra Mulher!


(Betha Mendes)
Imagem Google